REGULAÇÃO⏳ fiscalização começa em 37 dias — 27 set
UE define critérios comuns contra greenwashing
Em 30 de junho de 2026, a Rede de Cooperação para a Proteção dos Consumidores (CPC Network) da Comissão Europeia fechou um "Entendimento Comum" sobre como os reguladores nacionais vão fiscalizar a Diretiva de Capacitação dos Consumidores para a Transição Verde. A norma proíbe alegações ambientais vagas (como "ecológico" sem comprovação) e restringe selos de sustentabilidade autodeclarados. Os países terão até 27 de setembro de 2026 para implementar as regras, com uma abordagem inicialmente mais orientativa do que punitiva — um recuo em relação à Diretiva de Alegações Verdes original, retirada em 2025 por pressão do setor empresarial.
Qualquer marca ou PME têxtil que usa alegações ambientais sem comprovação ou selos de sustentabilidade próprios em embalagem, site ou redes sociais.
Como impacta
O risco de curto prazo é mais brando do que parecia em julho: primeiro avisos e orientação, multas só depois de 27/09 se o problema não for corrigido. Não é isenção, é prazo de adaptação: alegações sem prova continuam sendo as primeiras a serem sinalizadas quando a fiscalização apertar.
BOAS PRÁTICAS
Como empresas europeias estão escalando a economia circular
Um relatório da Agência Europeia do Ambiente (EEA), publicado em 21 de abril de 2026, mostra que práticas circulares ainda representam apenas 1,8% do PIB da UE, mas identifica quatro casos de sucesso que conseguiram sair do nicho: a dinamarquesa Too Good To Go (100 milhões de usuários em 19 países, combate ao desperdício de alimentos), a lituana Vinted (mais de 105 milhões de usuários em 23 países), a alemã Vytal (embalagens reutilizáveis com mais de 7.000 pontos parceiros) e a holandesa Fairphone (cadeias de suprimento transparentes). O relatório aponta cinco fatores-chave para escalar esses modelos: regulação favorável, inovação tecnológica, mecanismos financeiros, mudança comportamental e colaboração na cadeia produtiva.
PMEs e startups de reuso, revenda e reparo em busca de referências que provem que o modelo circular escala com lucro — e marcas maiores avaliando quais parceiros circulares apoiar.
Como impacta
Esses quatro casos mostram o que realmente tira modelos circulares da fase piloto: não só boa intenção, mas regulação favorável, financiamento e colaboração na cadeia funcionando juntos. Referências úteis pra quem ainda trata circularidade como projeto paralelo, não como restrição central de design.
NOTÍCIAS DO SETOR
Empresas italianas aceleram investimento em ESG
Um estudo publicado em 20 de agosto de 2026 revela que 75,5% das empresas italianas consideram adequado manter ou aumentar investimentos em ESG, e 68,6% reforçaram suas políticas de sustentabilidade nos últimos três anos. Empresas com alto desempenho ESG cresceram 65% em receita entre 2017-2024 (contra 55% das demais) e 40% em empregos (contra 28%), além de serem 28% mais "credit-worthy" quando adotam modelos de economia circular. O estudo estima que a inação climática pode custar à Itália até 9,5% do PIB até 2035, enquanto investir em sustentabilidade poderia gerar 8,4% de crescimento adicional até 2050.
PMEs italianas de têxtil e moda, e fornecedores não italianos ligados ao cluster manufatureiro italiano, que agora competem com pares que já mostram que ESG compensa financeiramente.
Como impacta
Os números confirmam o que muitas vezes é tratado como custo de conformidade: empresas com desempenho ESG mais forte crescem mais rápido em receita e empregos, e conseguem crédito em condições melhores, do que quem não investe. É um argumento competitivo, não só regulatório.
20 ago
REGULAÇÃO⏳ Espanha pode aprovar em 8 dias — 28 ago
Espanha pode aprovar decreto de responsabilidade estendida para têxteis já em 28 de agosto
O decreto espanhol de Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR) para têxteis e calçados foi notificado à Comissão Europeia em 27 de maio e entra em período de standstill até 28 de agosto. Sem objeções da UE, a Espanha pode adotá-lo logo em seguida — criando um sistema obrigatório de registro, coleta e financiamento de reciclagem para quem vende têxteis no mercado espanhol.
Fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores online — incluindo PMEs — que colocam têxteis ou calçados no mercado espanhol, mesmo vendendo à distância.
Como impacta
É o primeiro EPR têxtil nacional a avançar dentro do prazo da Diretiva-Quadro de Resíduos revisada — mesmo sem impor limiares mínimos, dá timelines mais longas a PMEs. Reforça o eixo de Circularidade (E5) do CASCO: quem ainda não documenta coleta e destino pós-consumo de seus produtos parte em desvantagem quando esquemas nacionais como este se tornarem norma em toda a UE.
REGULAÇÃO
Diretiva Omnibus I eleva limiares da CSRD e da CSDDD — menos empresas reportam diretamente
Em vigor desde 18 de março, a Diretiva Omnibus I elevou o limiar da CSRD para 1.000 funcionários + €450 milhões de faturamento, e o da CSDDD para 5.000 funcionários + €1,5 bilhão — adiando a aplicação da CSDDD para 2029. Menos grandes empresas ficam diretamente obrigadas a reportar.
Grandes marcas de moda com obrigação CSRD e seus fornecedores de primeira camada — inclusive PMEs que hoje recebem exigências ESG por pressão contratual dessas marcas, não por lei direta.
Como impacta
Não elimina a pressão sobre PMEs — só muda a origem dela. Com menos grandes empresas obrigadas por lei, a exposição regulatória de fornecedores passa a depender ainda mais da política voluntária de compradores individuais, exatamente o mecanismo que o CASCO mede (exposição prospectiva, não conformidade atual). O adiamento da CSDDD para 2029 dá mais tempo de preparação, mas não reduz o risco de perder contrato.
ESTUDOS DE CASO
Fornecedor turco da H&M, Inditex e PVH é acusado de reprimir sindicato durante fechamento de fábricas
A fabricante turca Eroğlu Giyim, fornecedora de H&M, Inditex (Zara) e PVH (Calvin Klein, Tommy Hilfiger), foi denunciada pelo sindicato Öz İplik İş por ameaçar demitir trabalhadores que tentaram fazer greve em abril, durante o fechamento de fábricas que eliminou mais de 3.000 empregos na Turquia. As três marcas assinaram o acordo ACT, que compromete a proteger liberdade sindical na cadeia de fornecimento.
Marcas âncora com compromissos voluntários de direitos trabalhistas (como o ACT) e seus fornecedores diretos — o tipo de vínculo contratual que hoje já pressiona fornecedores têxteis, inclusive PMEs, por conformidade de governança.
Como impacta
Mostra o eixo de Governança (GOV) do CASCO na prática: mesmo sem obrigação legal direta ainda em vigor para o fornecedor, o vínculo contratual com marcas comprometidas com o acordo ACT já cria exposição real. É exatamente o indicador GOV.3 — critérios de compra sustentável incorporados formalmente na seleção e auditoria de fornecedores — que o modelo avalia; um caso como este tende a pontuar mal em E0/E1 (evidência fraca) se a marca não conseguir demonstrar auditoria e resposta documentadas.
19 ago
REGULAÇÃO
UE lança registro oficial do Digital Product Passport
A Comissão Europeia publicou em julho um registro oficial do DPP, enquanto o ecodesign têxtil sob o ESPR avança. A rastreabilidade deixa de ser promessa e passa a exigir preparação prática.
Marcas com estoque parado e fornecedores diretos, que precisarão documentar destino de excedentes.
Como impacta
Reforça exigência de rastreabilidade de fim de vida (ESRS E5) — o eixo de maior peso no CASCO (35%).
REGULAÇÃO⏳ prazo em 39 dias — 27 set
Setor têxtil é alertado sobre prazo do Green Claims / ECGT
A diretiva antigreenwashing entra em vigor em 27/09/2026. Iniciativas como a Bluesign pressionam marcas a agir: alegações ambientais sem prova viram proibidas.