Nesta edição · 14–20 set
  1. Proibição de trabalho forçado na UE: Comissão inicia formação setorial, têxtil incluído
  2. O manual técnico do DPP está completo — faltam as regras do têxtil
  3. EFRAG leva ao mundo a norma de relato para grupos de fora da UE
  4. EURATEX pede a Bruxelas fiscalização aduaneira, não novas estratégias
  5. Algodão cede com safra recorde do Brasil, mas segue 30% acima do ano passado
REGULAÇÃO

Proibição de trabalho forçado na UE: Comissão inicia formação setorial, têxtil incluído

Desde 14 de setembro a Comissão Europeia começou a rodar webinars preparatórios sobre o regulamento (UE) 2024/3015, que proíbe no mercado da UE produtos feitos com trabalho forçado, com sessões dedicadas a PMEs e sessões setoriais para têxtil, solar, eletrônica e semicondutores, agroalimentar, automotivo e pesca. O regulamento se aplica a partir de 14 de dezembro de 2027, mesma data em que entra no ar o ponto único para denúncia de suspeitas. Uma constatação dispara proibição do produto específico em toda a UE, recolhimento da mercadoria já distribuída, remoção de anúncios online e descarte obrigatório, sem exceção de minimis.

Fonte: Mayer Brown, 15 set 2026
Quem impacta
Importadores e marcas que compram algodão, fio ou peça acabada em regiões sob escrutínio por trabalho forçado, e qualquer empresa cujo mapa de cadeia pare no primeiro nível.
Como impacta
O remédio é o que torna essa norma diferente de qualquer outra regra de due diligence: uma constatação significa que a mercadoria é destruída, não apenas retirada da venda, e não existe quantidade mínima abaixo da qual não se aplique. Dezembro de 2027 parece longe, mas o trabalho exigido — rastrear o algodão até a região de cultivo e manter dossiê de evidência por produto — leva mais de uma temporada para montar. A sessão sobre têxtil é o lugar para ver como a Comissão espera que essa evidência seja feita.
REGULAÇÃO

O manual técnico do DPP está completo — faltam as regras do têxtil

Em 16 de setembro o CEN-CENELEC publicou a EN 18239:2026, sobre gestão de direitos de acesso, segurança de sistemas de informação e confidencialidade comercial, e a EN 18246:2026, sobre autenticação, confiabilidade e integridade de dados. Junto com as seis normas lançadas em maio, completam o primeiro conjunto de oito normas horizontais de sistema do passaporte digital de produto, do comitê técnico conjunto JTC 24, cobrindo identificadores únicos, suportes de dados como QR, NFC e RFID, APIs e troca de dados, controle de acesso, segurança e integridade. Os requisitos específicos do têxtil ainda dependem do ato delegado do ESPR, esperado em 2027, com obrigações escalonadas a partir de 2028.

Fonte: MicelioData, 30 set 2026
Quem impacta
Marcas e fabricantes escolhendo fornecedor de software de passaporte de produto, e o pessoal de TI ou de dados de produto que terá de responder se a ferramenta comprada realmente implementa as normas.
Como impacta
A espinha dorsal técnica já está fixada mesmo com o conteúdo têxtil em aberto, e isso transforma uma obrigação futura vaga numa pergunta concreta de compra que dá para fazer hoje: esta plataforma implementa as oito normas EN 18xxx, e consegue demonstrar? Comprar ferramenta de passaporte que trata identificador mas não direito de acesso nem integridade de dado significa pagar duas vezes quando o ato delegado do têxtil chegar.
REGULAÇÃO

EFRAG leva ao mundo a norma de relato para grupos de fora da UE

A EFRAG passou a semana apresentando o rascunho da ESRS-40a fora da Europa, com sessões no México em 14 de setembro, na Coreia em 16 e nos Estados Unidos, junto com a AmCham EU, em 17, seguidas no fim do mês por Brasil, Nova Zelândia, Japão, Canadá e Reino Unido. A ESRS-40a é a norma que as controladoras de fora da UE que ultrapassam os limiares do artigo 40a da diretiva contábil usarão para reportar suas atividades na UE. A consulta pública fecha em 31 de outubro de 2026, a EFRAG entrega o parecer técnico à Comissão em janeiro de 2027, o primeiro exercício de referência é 2028 e os primeiros relatórios saem em 2029.

Fonte: EFRAG, 1 set 2026
Quem impacta
Subsidiárias europeias e escritórios de compra de grupos de moda de fora da UE, que são boa parte das marcas que compram de fabricantes europeus, e quem for chamado a alimentar dados no primeiro relatório europeu da matriz.
Como impacta
A janela de consulta é o único momento em que o dado que uma matriz de fora da UE terá de coletar ainda é negociável, e ela fecha em 31 de outubro. Depois de janeiro de 2027 o formato está definido e os pedidos começam a descer a cadeia até os fornecedores europeus. Ler o rascunho agora também é a forma mais barata de descobrir quais dos seus clientes estarão no escopo em 2028.
NOTÍCIAS DO SETOR

EURATEX pede a Bruxelas fiscalização aduaneira, não novas estratégias

Três dias depois do discurso do estado da União de Ursula von der Leyen, em 16 de setembro, a federação têxtil europeia afirmou que os compromissos de reequilibrar o comércio e cortar burocracia ainda carecem de urgência. E colocou números na posição: um setor de 166 bilhões de euros de faturamento, 1,2 milhão de empregos e quase 200 mil empresas, com importações de 122 bilhões contra 61 bilhões de exportações, faturamento caindo 3,0% no têxtil e 4,2% no vestuário no primeiro trimestre de 2026, um déficit comercial UE-China perto de 1 bilhão de euros por dia e volumes de encomendas de baixo valor quatro vezes maiores que em 2022, com preço médio de importação abaixo de 9 euros por peça.

Fonte: Textalks, 19 set 2026
Quem impacta
Fabricantes e transformadores europeus que competem com peças importadas abaixo de 9 euros, e marcas cuja decisão de manter produção na Europa depende do custo de energia e de conformidade.
Como impacta
É posição de lobby, não decisão, e vale ler como tal. O que ela sinaliza é a direção: o setor não pede menos regras, e sim fiscalização consistente na fronteira, incluindo uma taxa de manuseio de cerca de 10 euros por encomenda além da tarifa de 3 euros que começou em julho. São pedidos com boa chance de reaparecer no Circular Economy Act esperado para o fim deste ano.
NOTÍCIAS DO SETOR

Algodão cede com safra recorde do Brasil, mas segue 30% acima do ano passado

O algodão recuou a 84,87 centavos de dólar por libra em 14 de setembro, menor nível desde agosto, queda de 0,5% em quatro semanas mas ainda 30,6% acima de um ano antes. A pressão vem da oferta e da demanda fraca, mais do que da safra americana: o Brasil produz colheita recorde de mais de 4,1 milhões de toneladas com exportações 19% maiores na comparação anual, enquanto a China, maior consumidora do mundo, importou apenas 80 mil toneladas em agosto, 12,1% menos que em julho. A colheita nos Estados Unidos corria à frente do ano passado e da média de cinco anos, com 17% concluída.

Fonte: Trading Economics, 14 set 2026
Quem impacta
Fiações e tecelagens comprando algodão para a próxima temporada, e marcas cujas planilhas de custo foram montadas quando a fibra estava perto das máximas recentes.
Como impacta
É uma história de commodity, não regulatória, e a queda de quatro semanas importa bem menos que a comparação anual: o algodão segue cerca de um terço mais caro que em 2025. É esse o pano de fundo em que se precificam as alternativas recicladas e de base biológica, e um ano de fibra natural cara muda mais um mix de materiais do que a maioria das metas de sustentabilidade.
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